As alterações ao algoritmo do Facebook em 2017

Artigo publicado no dia: 2 Fevereiro 2018
Categoria: Gestão de Redes | Autor: Hugo Picado de Almeida

O algoritmo do Facebook (também conhecido por EdgeRank) é o coração complexo que comanda tudo aquilo que surge no news feed de cada utilizador. De importância vital para a plataforma, pois é no news feed que os olhares se concentram e onde mais tempo os utilizadores passam quando na plataforma, é aqui que as marcas competem por atenção e investem o seu dinheiro, é aqui que os utilizadores esperam encontrar os temas que os movem e entretêm. Se há tema em constante revisão no seio do Facebook, é certamente o algoritmo, e em 2017 muitas foram as alterações anunciadas pelo Facebook.

Façamos então o exercício de regressar atrás no tempo e ver o que mudou no ano passado no que ao EdgeRank diz respeito.

 

1. O impacto da percentagem de conclusão de um vídeo passou a ser balanceado com a duração do vídeo, o que beneficiou vídeos mais longos

Um dos muitos indicadores que o Facebook analisa para tentar aferir a importância de um conteúdo é a quantidade de visualizações desse mesmo conteúdo. Nos vídeos, a questão não é, porém, tão simples. Num vídeo de dois minutos, o que significa ter-se visto efectivamente o vídeo? Basta clicar no play ou é preciso ver a a totalidade do mesmo? Ou a metade? Para mais correctamente identificar a relevância de um vídeo para os seus utilizadores, em Janeiro de 2017 o Facebook alterou a sua forma de olhar para este problema. O staff de Mark Zuckerberg decidiu-se então pela “percentagem de vídeo visto”, partindo do princípio natural de que nos mais aproximamos de ver 100% de um vídeo quanto mais gostarmos dele, quanto mais nos comprometermos com ele. O Facebook percebeu, porém, que ver um vídeo de 20 minutos até ao fim exige um compromisso mais do que ver um vídeo de um minuto até ao fim, e passou a ter isso em consideração, beneficiando a distribuição (reach) de vídeos mais longos sempre e quando estes registassem boas percentagens de visualização. Para a maioria das páginas, a alteração talvez tenha sido irrelevante, mas para produtores de conteúdos em que o vídeo desempenhe um papel relevante, este ponto ganha especial relevância.

2. O Facebook passou a olhar para o “comportamento” de uma página para determinar a autenticidade do seu conteúdo, ou seja, páginas de spam ou que procurem enganar o algoritmo soferão penalizações

Uma das mais antigas batalhas do Facebook: a luta pela autenticidade, pelo real, pelo que nos é próximo e tem para nós significado. Esse é, aliás, um dos explícitos valores do News Feed.

O Facebook estudou uma série de páginas que identificou como propagadoras de spam ou de conteúdos considerados sensacionalistas/falsos, e depois programou um software capaz de compreender padrões e identificar novas páginas geradoras de conteúdo inautêntico. Simultaneamente, o Facebook percebeu que a relevância de um conteúdo pode prender-se com um momento específico (ex.: um jogo de futebol a decorrer) e com o “buzz” gerado em torno dele, potenciando a distribuição desse conteúdo numa janela temporal definida.

 

3. Artigos relacionados começaram a ser testados no news feed

Em Abril de 2017, e certamente no âmbito do combate declarado às “fake news”, o Facebook procurou dar mais um passo no sentido de promover uma comunidade informada, e começou a testar a funcionalidade dos “artigos relacionados” (inicialmente lançada em 2013). A grande inovação deste teste consistiu num adiantar do momento em que estes artigos são apresentados ao utilizador. Se antes surgiam após a leitura de determinado conteúdo, o teste propunha-se a apresentá-los num momento inicial: se muitas pessoas estão a debater determinado assunto, o Facebook iria então oferecer um conjunto de artigos de diferentes fontes para alargar o mais possível os pontos-de-vista veiculados. O teste apresentou certamente resultados positivos, já que em Agosto de 2017 o Facebook fez o roll-out desta funcionalidade. Mais um esforço no combate às fake news e sites de click bait.

 

4. Links que levam a sites com má usabilidade têm uma penalização

Nada pior para alguém que vende tráfego e clicks do que ver os seus utilizadores finais desapontados com a qualidade das experiências (sites) que lhes são propostos dentro da rede social. Para combater a frustração dos utilizadores face a alguns dos links em que clicam, o Facebook passou a penalizar páginas que apresentem uma “experiência de navegação de má qualidade”. Além de proteger os seus utilizadores, o Facebook pretende assim penalizar também economicamente (pela redução do tráfego) plataformas geradoras de clickbait e fake news.

 

5. Títulos de ClickBait passaram a ser penalizados

Se a luta contra o clickbait já se tinha iniciado em 2016, em Maio de 2017 o Facebook estendeu a análise de artigos potencialmente enganadores ao nível dos utilizadores, e já não apenas às páginas.

Além disso, e para aumentar a sua eficiência nesta identificação, o Facebook passou a segmentar o clickbait em dois níveis: títulos que escondem informação e títulos que exageram a informação. Neste update, a análise de títulos pelo crivo do clickbait estendeu-se também a mais idiomas.

 

6. Links mais informativos passam a ter mais visibilidade no feed

Na sequência do ponto anterior, e para evitar o spam por parte de utilizadores pessoais que partilham grande quantidade diária de posts com informação pouco relevante, o News Feed começou a penalizar a distribuição destes conteúdos, dando prioridade a verdadeiros conteúdos e a artigos de maior valor informativo.

 

7. Páginas com maior velocidade de abertura são privilegiadas no feed

À semelhança do que faz o próprio algoritmo que ordena os resultados de pesquisa no Google, o News Feed do Facebook passou também a dar mais destaque a sites que apresentem maior velocidade de carregamento das suas páginas. Esta alteração ao algoritmo data de Agosto de 2017 e baseia-se em estatísticas que revelam que até 40% dos visitantes de um site o abandonam após uma espera de 3 segundos no carregamento. Inversamente (e justamente), o News Feed beneficia páginas com tempos de carregamento mais curtos.

 

8. Páginas ou anunciantes que estiverem a usar cloacking nos links que partilham podem ser banidos

O “cloaking” é considerado pelo Facebook como uma das mais graves ofensas à comunidade, por aliciar utilizadores a clicar no link com a informação A e redireccionando-os depois para o conteúdo B, que muitas vezes viola as próprias políticas da plataforma. Este “bypass” aos processos de revisão do Facebook põe em causa a credibilidade da plataforma e, mais grave ainda, a segurança dos utilizadores. Para identificar estes links, o Facebook alargou os seus recursos humanos responsáveis pelos processos de revisão de conteúdos e alocou sistemas de Inteligência Artificial à sua monitorização. De acordo com o Facebook, “milhares” de fontes foram eliminadas da plataforma no seguimento desta acção.

 

9. Vídeos de clickbait passaram a ser penalizados

Tal como já o tinha feito contra links identificados como fontes de clickbait, em Agosto de 2017 o Facebook anunciou a sua tomada de acção contra vídeos de clickbait, ou seja, vídeos com uma pré-visualização aliciante e sem ligação ao verdadeiro conteúdo mostrado ao utilizador após click no play. A penalização em termos de reach destes conteúdos constitui mais alteração ao algoritmo com o objectivo de preservar a autenticidade das experiências na plataforma.

 

 

10. Facebook começou a testar uma funcionalidade para dar maior contexto aos artigos publicados, incluindo informações sobre o site, artigos relacionados e os locais onde o artigo está a ser partilhado

O objectivo passava, mais uma vez, por assegurar a credibilidade e autenticidade dos conteúdos partilhados na plataforma, potenciando experiências positivas e de alta qualidade para os utilizadores. Esta informação contextual dá também mais poder aos utilizadores no momento de avaliar a pertinência ou mesmo veracidade de um artigo.

 

Article Context

Posted by Facebook on Wednesday, October 4, 2017

 

11. Facebook apresentou novas guidelines de publicação

Em Outubro de 2017, o Facebook publicou um conjunto de princípios de publicação que pretendem ajudar os utilizadores a destrinçar os conteúdos que devem promover/partilhar e aqueles que devem evitar propagar. Este documento é parte integrante do “Facebook Journalism Project” e tem o intuito de ajudar a esclarecer a comunidade sobre os critérios de publicação que também orientam o trabalho dos jornalistas ao mesmo tempo que combate a proliferação das fake news.

 

How Does News Feed Work?

Posted by Facebook on Friday, October 20, 2017

 

 

12. Vídeos em páginas que as pessoas proactivamente procuram têm melhor rank, assim como vídeos que foram vistos várias vezes

O Facebook resume este update em “intent” e “repeat”. Se um utilizador procura activamente um vídeo e se o reproduz várias vezes, logicamente que este é um conteúdo importante para ele. Se vários utilizadores o fazem, há certamente um interesse generalizado e uma qualidade ou relevância inerentes a esse conteúdo, pelo que o News Feed lhe garante distribuição alargada.

 

13. Facebook criou a funcionalidade de snooze que permite ao utilizador não receber nada de uma página ou pessoa durante 30 dias

Nenhum algoritmo é perfeito, nenhum sistema automático está imune ao erro. Consciente disso, e procurando devolver um maior controlo do News Feed aos utilizadores, o Facebook lançou o “Snooze”, ferramenta que permite, sem inteiramente deixar de seguir alguém, deixar de receber o seu conteúdo durante 30 dias. Uma ferramenta especialmente útil para quem quer deixar de ver aquele amigo a comer ramen sete vezes por dia durante a sua ida ao Japão. Para não criar constrangimentos, algo que o Facebook evita a todo o custo, as páginas ou utilizadores colocados em snooze não são notificados disso.

 

Snooze

Posted by Facebook on Wednesday, December 13, 2017

 

 

14. Publicações que incentivam as pessoas a fazerem interações (“engagement bait”) passaram a ser penalizadas no algoritmo

“Faça um LIKE se gosta de gatinhos!” Todo o utilizador comum já se deparou com inúmeros exemplos de posts que pretendem a interacção pela interacção, quer dizer, que promovem interacções não verdadeiramente orgânicas com o único objectivo de melhorarem a sua posição no algoritmo do News Feed por via das interacções. O Facebook passou a dar especial atenção à revisão destes conteúdos e a penalizar a sua pontuação.

 

15. O Facebook passou a colocar os related articles para dar maior contexto a um artigo

Como parte do seu esforço contra a proliferação de fake news, ou qualquer informação pouco fidedigna, o Facebook decidiu substituir a notificação de que a veracidade de um artigo estava a ser disputada pela apresentação de um conjunto de artigos relacionados. O objectivo é dar fontes alternativas que permitam aos utilizadores analisar e julgar por si mesmos a fonte em que devem confiar. A decisão de abdicar de um sinal (notificação) baseia-se em estudos que afirmam que uma imagem forte, como uma bandeira vermelha, pode produzir efeitos contrários e acirrar posições de confronto e extremismo.

 

How Facebook Addresses False News

Posted by Facebook on Wednesday, December 20, 2017

 

 

Sem surpresas, mas claramente definidor da agenda do Facebook, é o facto de todos os temas relacionados com más experiências para os utilizadores e a proliferação de conteúdos falsos ou mesmo ilegais terem estado na mira das alterações ao algoritmo do News Feed em 2017. Esta é uma tendência que deverá manter-se em 2018, já que o Facebook anunciou que conteúdos de amigos assumirão maior destaque no News Feed. Às páginas, às marcas, a necessidade de criar conteúdos cada vez mais relevantes para os seus públicos é absolutamente inegável, assim como o é a necessidade de jogar pelas regras definidas pela plataforma.

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